HARMONIZAÇÃO FACIAL. TEM ALGO QUE NÃO TE CONTARAM...

Leonardo Stella

HARMONIZAÇÃO FACIAL. TEM ALGO QUE NÃO TE CONTARAM...

E ISSO NÃO É UM COMERCIAL

Inicialmente, é importante deixar bem claro que o tema abordado nesse artigo pode ocorrer tanto no cotidiano dos médicos como com outros profissionais, da área, portanto não tratamos aqui de conflitos de classes – não é essa a intenção.

Partindo desse princípio, vamos abordar a harmonização facial pela nossa perspectiva médica, embora já “batido demais”, nas mídias, de forma que até você poderia nos dar uma aula sobre os tipos de preenchimentos, de “Botox”, de lipo de “papada”, dentre outros.

"Produção em série"

Realmente sinto que preciso tocar no assunto: “produção em série de rostos iguais”. É como ocorre, por exemplo, numa concessionária, onde se compra um veículo. Basta escolher o que quer, nem sempre o que precisa, ou escolher o pacote completo, e pronto. Pode vir com aumento das “maçãs“ do rosto, apagamento do “ bigode chinês“, aumento do ângulo das mandíbulas, aumento de queixo, disfarçar as bochechas de buldogue, vem bichectomia, cirurgia das pálpebras, o levantar as sobrancelhas no tipo fox eyes, empinar o nariz, fechar as orelhas em abano, sem cirurgia, paralisar as rugas da testa, dar uma esticadinha no rosto, uma limpada na “papada”, dentre outras mil nomenclaturas diferentes, para vender o mesmo procedimento – o pacote harmonização facial.

Redes Sociais

Às vezes, olhando no Instagram, me deparo com um monte de pessoas “gêmeas” e questiono: será que estou fora dessa moda da padronização? Ou enxergo meu paciente como uma pessoa única, com suas características que podem ser exaltadas em prol da sua beleza, sem que ela se torne um produto de industrialização em série? As fotos divertidas do WhatsApp, Facebook e Tinder perderiam a função – tudo meio parecido.

Muito comum ver excesso de preenchimento nas “maçãs” do rosto, por vezes nem sempre necessárias, que até lembram a Malévola/Angelina Jolie. Ou lábios os quais me questiono se realmente necessitavam daquele aumento, se apenas um contorno neles já resolveria, ficam tão grandes, que, se eu fizer certa comparação vão me processar.

Parece engraçado à primeira vista, mas vale ressaltar que, em uma boa parte desses casos, dependendo dos produtos utilizados, não tem como voltar atrás, voltar ao normal.

Somos seres únicos e assim devemos permanecer, o que não significa que não possamos buscar melhorar a nós mesmos, ressaltar nossas virtudes, nossos traços, a nossa beleza e não a beleza que está nos outros, devemos respeitar o “nosso lado belo”.

Sim, se desejarmos devemos fazer a harmonização facial, mas que permaneça a nossa face, e não harmonizar com a face de outros.

Antes de continuar gostaria apenas de me justificar onde, por melhor que seja o profissional ele está sempre sujeito a ver complicações nos seus procedimentos – pode acontecer o improvável, está lidando com o complexo corpo humano, onde dois mais dois nem sempre dá quatro. Ayrton Senna nos deixou, fazendo o que de melhor sabia fazer.

Vejo essas práticas da parte de vários profissionais, tanto médicos como de outras áreas - que não têm a formação em medicina e/ou capacitação reconhecida por órgãos legais. Não estou aqui para fazer o julgamento, entretanto, o que preocupa é a capacidade desses profissionais de resolverem as complicações – que podem ser severas. Por exemplo, imaginemos se parte do seu nariz, ou de seu lábio, necrosassem, e você ficasse sem o nariz e sem essa parte do lábio? Tudo por uma simples aplicação de preenchimento? É algo que precisará ser reparado, da melhor forma possível. Fica a pergunta: quem gerou o erro está capacitado para te ajudar?

Às vezes, olhando no Instagram, me deparo com um monte de pessoas “gêmeas” e questiono: será que estou fora dessa moda da padronização? Ou enxergo meu paciente como uma pessoa única, com suas características que podem ser exaltadas em prol da sua beleza, sem que ela se torne um produto de industrialização em série? As fotos divertidas do WhatsApp, Facebook e Tinder perderiam a função – tudo meio parecido.

Dessa reflexão o que podemos aproveitar?

  • A harmonização facial é segura, desde que feita por um profissional muito bem capacitado, capacitado também para resolver quaisquer complicações que eventualmente possam aparecer;
  • Não seja igual a todos, seja você, numa versão melhorada;
  • O “barato” pode sair muito caro, e às vezes não tem volta;
  • Pesquise bastante sobre o profissional, não se engane com fotos de “antes e depois”, não podemos esquecer que existem aplicativos que fazem manipulação de imagens, diariamente isso ocorre com os filtros do Instagram;
  • Por favor, não exagerem muito, o limite entre o bonito e o ridículo é tênue.

 

Agradeço a interação, através dessas palavras, e, ressalto uma verdade que nos tranquiliza: existem profissionais muito bem capacitados, em todas as áreas.

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