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MEDICINA PERSONALIZADA. REALIDADE DO SÉCULO 21

ADRIANO JOSÉ BUENO

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A TECNOLOGIA VEIO PARA INDIVIDUALIZAR E APROXIMAR MEIOS, MÉDICOS E PACIENTES

A medicina passa por uma reformulação no modo de atuação. A utilização de novas tecnologias e a interação com o paciente serão os pilares dessa nova ciência.

Em relação às novas tecnologias, estão os novos métodos de imagem. Nesse campo estamos trabalhando no avanço da prevenção das patologias/lesões, destacando aqui o grande avanço com a termologia médica.
Um exame funcional, não radioativo, que utiliza a emissão de calor do próprio corpo para compor a avaliação. Há um mapeamento de todo corpo, e através disso podemos tratar e orientar a necessidade de outros exames com mais precisão. Não há contraindicação para esse método por tratar-se de uma técnica, como dissemos, sem qualquer emissão de radiação.

Além da aplicação clínica, a termologia já está sendo utilizada na medicina do esporte e na medicina pericial. Na utilização no campo de trabalho, por exemplo, conseguimos averiguar a sobrecarga mecanopostural nos movimentos realizados exatamente durante o ato do trabalho, e assim, podemos constatar a existência ou não de doenças possivelmente "fantasmas", aquelas referidas pelo paciente e que não conseguimos medir em exames anatômicos.
Hoje, para avaliar os termogramas, utilizamos um software americano, mas, já está em aprimoramento e em utilização um novo software, mais moderno com "learning machine", ou seja, o próprio programa ajudará na interpretação das imagens. Isso tornará o laudo mais ágil e preciso, comparando as imagens com um banco de dados.


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Outra tecnologia já presente em nosso meio, mas na fase de adaptação e "nacionalização" é o BTT HeadGear®. Esse aparelho, desenvolvido na Yale University pelo Dr. Marc Abreu, medirá o comportamento térmico cerebral durante o sono, e através desses dados poderemos ajudar na performance cerebral. E isso estará integrado com aplicativos de celulares.
A utilização da termodinâmica cerebral será, sem dúvidas, o maior campo de estudo e atuação voltadas às doenças - permitir que o cérebro descanse adequadamente é a maior proteção da vida.


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Ainda no campo da neuromodulação, já está presente no meio médico, inclusive em hospitais de renome e em algumas faculdades de medicina, a REAC®, terapia desenvolvida pelo Dr. Salvatore Rinaldi/Florença-Itália. Trata-se de uma modulação neuropsicofísica, utilizando ondas de rádio assimétricas. Aqui existe uma repolarização das células do sistema nervoso autônomo, repercutindo na melhora de várias funções do organismo.


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Outras tantas terapias têm chegado até nós com a finalidade de melhorar a dor e a qualidade de vida do paciente, de forma realmente individualizada. Hoje, podemos afirmar, não há uma medicina ideal para todo ser humano, existe na verdade uma medicina muito individualizada para cada ser humano. 

A ação epigenética, o efeito no meio externo através da manifestação dos genes, toma um lugar muito importante, nesse contexto, como discorre a Dra. Eva Jablonka, uma israelense que está entre as maiores autoridades nesse assunto: “Embora muitos médicos, bioquímicos e outros cientistas que não são geneticistas ainda usem a linguagem dos genes como simples agentes causais, e prometem ao seu público soluções rápidas para todos os tipos de problemas...eles não são mais do que propagandistas cujo conhecimento ou motivos devem ser suspeitos.”

Nesse sentido, a interação com o paciente e o comprometimento dele com o tratamento será parte fundamental da terapêutica. Aquela distância que havia entre o médico e o paciente acabou. 

Em meio a discussão ética várias startups já desenvolvem aplicativos e outros meios de facilitação diagnóstica.

E digo facilitação, porque muitos médicos temem essa realidade, e porque o exame físico, o olho no olho, o feeling, jamais será substituído por qualquer tecnologia. Mas a aplicação de questionários direcionados, a medida de parâmetros vitais e dados laboratoriais serão - e já são, basta olhar os smart watches - acessíveis por aplicativos móveis.

E isso é sensacional, ajuda no diagnóstico e no acompanhamento do paciente. Essa tecnologia já existe e será realidade muito em breve.

Outra coisa, é o acesso à informação. Antes restrita às bibliotecas médicas e aos congressos fechados, hoje está disponível no Google/Google Acadêmico e outras plataformas digitais. 

Com isso o paciente torna-se parte do tratamento, trazendo muitas vezes luz ao diagnóstico. É exigido mais conhecimento por parte do médico, que passa a ser realmente um consultor da saúde. Aquele que consegue sintetizar o conhecimento e direcionar o que é melhor para aquela pessoa.

Caberá ainda ao médico separar o que é informação útil e válida, daquela sensacionalista, sem fundamento ou com “conflito de interesses”. Diferente dos séculos passados, o médico não é mais o "dono" da saúde, mas o CEO, um administrador que reunirá dados relevantes, avaliará processos diagnósticos e direcionará tratamentos. E a utilização do "sentir" sempre terá um valor altíssimo para esse profissional. 

Portanto, ao contrário que muitos pensam, acredito que a tecnologia aqui aproximará médico e paciente.

A evolução em todas as áreas é inexorável... Estejamos nós, médicos e pacientes, preparados para o futuro. O que jamais deve mudar é a relação de amor e respeito recíprocos entre nós. 



adrianobueno 

Dr. Adriano José Bueno CRM 99344
TEOT (ortopedia e traumatologia) 8968
Pós graduação em medicina do esporte HCFMUSP; Pós graduação em termologia médica HCFMUSP