A IMPORTÂNCIA DA AVALIAÇÃO PSIQUIÁTRICA

Rodrigo Nogueira Borghi

A IMPORTÂNCIA DA AVALIAÇÃO PSIQUIÁTRICA

No contexto dos transtornos psiquiátricos enquanto doenças neurodegenerativas, é essencial o parecer de um psiquiatra.

Nos últimos artigos abordamos duas patologias, frequentes em psiquiatria. Em ambos, reforçamos categoricamente a importância de se buscar ajuda médica, de forma rápida, na presença de sintomas psiquiátricos. É princípio, na nossa clínica, usarmos esse espaço informativo para falarmos de transtornos psiquiátricos específicos, entretanto, nesse terceiro artigo, achamos importante abordar de forma mais categórica a razão pela qual buscamos alertar, de forma muito intensa, o porquê de o portador de sintomas psiquiátricos precisar de rápida ajuda médica. 

Podemos dizer com propriedade que, o que existe de comum em todos os transtornos psiquiátricos, é a relação com doenças neurodegenerativas, que se agravam ao longo do tempo, trazendo prejuízos cada vez mais intensos, que ficam cada vez mais resistentes aos tratamentos disponíveis, deteriorando progressivamente a saúde física, a saúde global, tornando o paciente cada vez menos apto a funcionar adequadamente - dificultando sua recuperação total.

Isso é resultado do agravo progressivo do já instalado comprometimento funcional de circuitos neurais, os envolvidos com a doença, e, da adaptação destes circuitos de acordo com o presente funcionamento patológico, podendo modificar, muitas vezes de forma irreversível, a plasticidade cerebral. Ou seja, não buscar o tratamento adequado pode tornar o dano associado à doença impossível de ser reparado. A partir daí, os cuidados para a doença serão apenas paliativos, o que é um desfecho terrível. Como psiquiatra, vemos frequentemente que essa falta de resultados era claramente evitável. 

Para a melhor resolução médica nos casos precisamos seguir os seguintes pressupostos:

• Rapidez no diagnóstico; 
• Acurácia no diagnóstico e no acompanhamento da evolução;
• Fornecimento de um plano de tratamento altamente eficaz e que vise sempre a total recuperação funcional do paciente, garantindo uma adesão adequada ao tal plano;
• Psicoeducação eficaz, com manutenção no tratamento, evitando recaídas e deterioração do quadro.

É preciso que cada pessoa, ao perceber sinais persistentes de alteração de comportamento, alterações anormais, busque prontamente o especialista. Deve-se seguir o plano de tratamento proposto e participar ativamente na compreensão dos detalhes do seu tratamento, da evolução e recuperação funcional. Nunca abandonar o tratamento - manter um diálogo constante e franco com o seu médico. Abandonar estigmas e tornar-se o próprio agente de promoção da sua saúde.

Gostou? Compartilhe: