A SUA MEMÓRIA É SEU BEM MAIS VALIOSO?

Rodrigo Nogueira Borghi

A SUA MEMÓRIA É SEU BEM MAIS VALIOSO?

A relação entre as doenças que afetam a nossa cognição e o aumento na busca pela psiquiatria, na atual era da informação.

No cotidiano é muito frequente que nossos pacientes, perplexos, comentem sobre o aumento do número de pessoas que buscam ajuda na psiquiatria. E muitos atribuem tal necessidade devido ao estresse vivido pelas pessoas, e também pela diminuição do preconceito em relação à área. Ambas as observações são condizentes com a realidade - tanto as situações precoces de estresse grave e persistente, quanto a quebra progressiva de tabus que então levam as pessoas ao consultório.

Nos últimos anos, temos percebido nos pacientes um mau desempenho persistente da cognição, principalmente na função executiva, presente nas patologias leves ou graves, na depressão, no transtorno afetivo bipolar, nos transtornos de ansiedade, TDAH, esquizofrenia, etc., assim como quando há doenças clínicas comuns, como diabetes, por exemplo. Ambas patologias têm atrapalhado de forma grave a funcionalidade dessas pessoas.

Entendendo que a cognição é, resumidamente, o ato intelectual consciente, o ato de pensar, entender, aprender e lembrar, se faz necessário que os respectivos grupos de funções cerebrais precisam estar intactos, como o da atenção, da percepção, orientação, da memória imediata, memória tardia, memória de trabalho, do processamento de informações e etc. 

Numa analogia, imaginemos uma empresa onde o callcenter não ouve atentamente seus clientes e fornecedores, e o pessoal do estoque também interpreta mal as conversas com a produção, e o pessoal da produção está tão lento, incapaz de realizar o processamento dos pedidos... Bem, essa empresa vai mal, muito mal, ok? É exatamente isso. Portadores de doenças específicas que trazem prejuízos para a cognição têm problemas logo em seguida.

Estudos recentes mostram que pessoas com a cognição prejudicada são removidas do mercado, ou vão para funções com menos ganho financeiro. Também têm dificuldades no dia a dia, com o cuidado do lar, na vida acadêmica e até mesmo no processo de condução de um veículo. Melhorando outro grupo de sintoma, as queixas do grupo da cognição começam a ficar evidentes, assim como que esses são os maiores causadores do seu prejuízo, dos possíveis deficits nas funções cognitivas.

A busca de tratamento adequado para tais doenças, principalmente através da psiquiatria e da neurologia pode ajudar na maior parte das doenças que trazem tais prejuízos - oriundos da cognição. Esperamos ter mostrado o quão valiosa são nossas funções cognitivas, e o quão prejudiciais são as doenças que interferem em seu pleno funcionamento.

Gostou? Compartilhe: