DESCUBRA UM NOVO VOCÊ NA PANDEMIA

Jairo de Oliveira Assumpção

DESCUBRA UM NOVO VOCÊ NA PANDEMIA

Com novas rotinas, novos hábitos e com fé, estamos pertos de sair dessa.
 

Era final de 2019, chegando 2020, ano novo, vida nova. E vem uma surpresa para todos, para o mundo. Nossas vidas foram invadidas, com mudanças nunca imaginadas. O invasor? Coronavírus.

Foi declarado em 11 de março de 2020, pela Organização Mundial da Saúde – OMS, pandemia para o Covid-19, infecção causada pelo novo coronavírus. Segundo a OMS uma pandemia é a disseminação mundial de uma nova doença. O termo é utilizado quando uma epidemia - grande surto que afeta uma região - se espalha por diferentes continentes com transmissão sustentada de pessoa para pessoa. No Brasil, o primeiro caso foi em 26 de fevereiro deste ano.
Apreensão, sensação de medo, insegurança, rotina de vida alterada de forma brusca - restrições e isolamento. Tivemos que nos ajustarmos à nova realidade, seja em nossas relações pessoais, ambiente de trabalho, o social, escolar, eventos, lazer, tudo.

Com muitas informações imprecisas, apareceram novas formas de comportamento, de sentimentos, reações, e um comprometimento importante da nossa saúde mental. Pessoas em tratamento psiquiátrico e/ou psicológico que estavam estáveis vieram a apresentar intercorrências - crises de ansiedade e depressivas. Pessoas ditas saudáveis se viram com sensações nunca sentidas, muitas delas com sintomas de pânico, desespero e desesperança, um vazio inexplicável.

A rotina de vida tornou-se atípica. Muitas pessoas longe da escola, do trabalho, casamentos adiados, separações, igrejas sem fiéis, reuniões familiares, tão importantes para a saúde mental, limitadas. Muitos sofrendo o luto pelo coronavírus. Traumatizante.

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A CRIANÇA E A PANDEMIA

A pandemia trouxe o isolamento, incertezas e mudanças de hábitos com reflexos nas crianças. Distanciamento escolar - importante espaço de aprendizado, de socialização, alimentação e lazer – sem contato com os avós, sem parque, shopping, clube, o mundo se tornou pequeno. O que restou para as crianças foi ficarem confinadas em suas casas com consequências para sua saúde mental no que diz respeito ao desenvolvimento cognitivo, afetivo, social e psicomotor.

Surgiram alterações de comportamentos/aprendizado online, sensações de insegurança/grudados na mãe, mudança de hábitos/alimentação maior ou menor, alterações no ciclo sono-vigília/ida para a cama alterada, irritadiços, mais dependentes. Cabe aos pais, sensíveis, atentos e presentes, ajudarem os filhos a compreender isso tudo, respeitando sua faixa etária. Estabelecer horários e manter rotinas dão segurança à criança. Nessa nova realidade, os pais devem filtrar as informações, evitando as desnecessárias para a criança, espantando quadros de depressão, ansiedade e pânico. Como dizem os mais velhos: não existe cartilha para se educar um filho, muito menos em tempos de pandemia. Devemos como pais inventar e reinventar a dinâmica familiar para que nossos filhos possam lidar melhor com as mudanças e limitações.

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A MULHER E A PANDEMIA

As mulheres, antes da pandemia, já exerciam jornada dupla. E a sobrecarga veio em 2020. A mulher que já se vestia de mulher maravilha passou a se chamar mulher maravilha maravilhosa. Se tornaram multitarefas pois tiveram que se dividir entre o emprego fora de casa, ou em casa/home office, os trabalhos domésticos, tempo maior para assistência e supervisão infantil, educação escolar em casa, e, assistência aos idosos da família que ficaram isolados. Esse impacto trouxe alterações em suas vidas deixando-as mais fragilizadas, com maior desgaste físico, e, até vulneráveis à violência. Risco de contágio, as profissionais ligadas a saúde, maior chance de adoecimento psíquico por depressão, crise de ansiedade, pânico e síndrome de Burnout. Sem falar da crise econômica, perda de renda. No consultório, as queixas são de estresse, crises de ansiedade, quadros depressivos, episódios de pânico com idas frequentes ao pronto socorro, insônia, choro sem motivo. O cuidado pessoal ficou comprometido, aparência física deixada de lado, sem tempo, sobrecarregada, exausta. A procura pelo atendimento psiquiátrico e/ou psicológico e terapias alternativas tem sido a forma de amenizar este desequilíbrio.

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O IDOSO E A PANDEMIA

Uma paciente relatou a preocupação com a mãe, oitenta e poucos anos, no sertão do nordeste. Diz ela para sua mãe: “mãe se proteja, não sai de casa, olha o vírus aí...”, e a mãe de pronto respondeu: “filha não se preocupe comigo não, estou no lucro, já vivi muito, não vou deixar de curtir meu forro, os amigos, as missas. Você e os seus que se protejam, a doença é brava, mata sem dó”. A princípio pensa-se que a senhora esteja agindo sem responsabilidade, mas ao contrário, foi a forma que ela achou de, num lugar distante, cuidar de sua filha. A pandemia afetou a vida de nossos idosos de uma maneira muito cruel, ficaram “aprisionados”, em isolamento - como cuidar e não deixar de transmitir carinho, amor, atenção? Graças à tecnologia foi possível diminuir um pouco a distância, mantendo-os ativos e saudáveis. Esse isolamento veio para dificultar em muito a vida dos idosos, trazendo aumento nas suas fragilidades, a pressão alta, o diabetes, e do ponto de vista neuropsiquiátrico a ansiedade, depressão, piora da memória, insônia. Os idosos reclamam da falta de autonomia para ir a uma missa, jogar bocha, ver os filhos e netos, viajar, fazer suas compras de supermercado. Temos que estar atentos a mudança de rotina e fazermos o possível para tornar a vida de nossos idosos mais simples e prazerosa. O idoso agradece.

 

Descobri em minha trajetória de vida o quanto o dia a dia é difícil, impõe dificuldades, mas, se superarmos juntos todas elas é certo que será boa demais. Começamos o ano com uma imagem sombria e ameaçadora nessa nova realidade. O mundo desacelerou. Em meio a dias difíceis meses voaram, e já esperamos 2021. Temos que atenuar o estresse e a ansiedade, preservar assim nossa saúde mental. Focar naquilo que você pode controlar. Não deixar de lado o comportamento preventivo, ficar em casa se possível, evitar aglomerações, higienizar as mãos etc. Manter uma certa rotina, no alimentar-se e no dormir. Exercícios, leitura, yoga, orações. Faça reflexões sobre você, sobre a vida.

Finalizo desejando a todos muita sabedoria, que mantenham a fé, tudo passa, e que nunca nos falte esperança de dias melhores. Quando tudo isso terminar seremos mais fortes, vamos valorizar cada momento - beijos e abraços serão mais intensos. Descubra um novo você, ano novo vida nova - que venha 2021.
 

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