VAMOS FALAR DE ESPERANÇA

Ana Paula Banov

VAMOS FALAR DE ESPERANÇA

Porque informação, angústia e ansiedade já temos demais.
 

Esse ano parece que tudo virou do avesso, a nossa casa virou literalmente o nosso mundo: virou nosso trabalho, escola, lazer, férias. Foi um reaprender a conviver com as pessoas que moram conosco, um reconectar com nossa família e, na verdade, também reconectar com a nossa essência, encarar o nosso eu. É tanta reinvenção da vida que muitas vezes pensamos que não iríamos dar conta. Mas temos conseguido até aqui!

Penso o quanto tudo isso era necessário, não uma pandemia mundial, é claro, mas este “voltar para casa”, para nossa casa. Quantos de nós não reavaliamos os nossos valores, o que realmente importa. Reorganizamos nossos espaços, descobrimos outros pouco explorados, olhamos para cada cantinho buscando o que há de melhor. Se você ainda não pensou sobre isso tudo, que tal pensarmos juntos?

Para vivermos esse turbilhão de acontecimentos precisamos usar da nossa força, coragem e de muita criatividade. A realidade não irá mudar só porque queremos, o que podemos fazer é mudar o nosso olhar sobre ela, num grande exercício de ressignificação.

Talvez você esteja pensando que eu acho tudo isso muito fácil, que não estou considerando todas as dificuldades que vieram de carona. De jeito nenhum. Meu desejo é fomentar o pensamento sobre o que é possível fazer diante da realidade que se apresenta: mudar os móveis de lugar, plantar flores, aprender a cozinhar mesmo que seja com a orientação da mãe, da avó ou do amigo por vídeo chamada, incluir a família toda na faxina que, acreditem, pode ser divertido. Um movimento de conhecer de fato aqueles que estão mais próximos, reinventando as formas de contato.

Há tanto que se explorar nas coisas mais simples, numa volta ao que é essencial. É hora de cultivar pequenas alegrias, não de ficar se cobrando para fazer aquele curso que está disponível, ou de entrar em forma, e ter que assistir todas as lives, muito menos de se comparar com os outros. Já há pressão demais em todos nós, não seja mais uma para você. Olhe pela janela, faça um bolo, leia um livro, converse com as plantas, sinta o cheiro de café, olhe o céu, sinta o sol, ouça música, brinque com seus filhos e até permita-se fazer nada de vez em quando. Há muito para ser vivido, mesmo que nada tenha saído como o planejado.

Gosto de pensar como Caio Fernando Abreu: “E quando você menos espera a vida te vira do avesso, e você descobre que o avesso é o seu lado certo.”

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